Bom Dia, Brasil

Bom dia Brasil.

O lado invertido dos acontecimentos é um mar de rosas.
Perfumado, leve, macio, com seu jeito religioso, educado e família de ser.
O outro lado é feio, desproporcional e, politicamente, faz mal.

Sempre pensei que aceitar sem submissão é boa opção e faz bem para o coração e, assim, os dias passam com a velocidade do que se cria e se destrói.

Ontem, deitei cedo com a intenção de ver o jornal das TVs, melhor opção em certas ocasiões de baixa.

Estou em Brasília para mostrar minha cultura, hoje, diversificada pelos forrós e axés com bailarinos e bailarinas a mostrar com alegria a alegria do que foi mostrado há 18 anos atrás quando a lambada atravessou fronteiras e mexeu com o imaginário popular.

Revejo, com felicidade, o sorriso de quem desta fonte se beneficia a sustentar suas famílias com a arte de suas danças, sem muito espaço no lá.

Hoje, percebo seus inconscientes a entender seus valores e direitos sociais.

A lambada que ontem foi hit e ditou modismo, agradece e informa a todos que se beneficiaram e ainda se beneficiam dos shows e temas musicais aqui antecipados.

Dançá-la faz bem pra alma e pros corações, diminui as taxas do colesterol e teve importante participação na construção e divulgação da imagem mestiça e colorida de nosso País.

Muitos perguntam se a lambada tem algo com o carnaval e eu, como guardião deste e de outros ritmos de meu Estado, sinto-me na obrigação de ensinar não-somente a dança, mas também o lado cultural da coisa.

Belém é minha cidade. Pará é meu Estadão.

Revendo vou me apercebendo na modernidade dos sons atuais quando a dança proibida embalava os salões do Brasil e do mundo. Em sua primeira fase, a lambada surgia da mistura de nossas fronteiras Amazônicas.

Misturava-se ao carimbó moderno de Mestre Pinduca, ao som de raízes de mestre Verequete, Alípio Martins e a sons de outros artistas da Região.

O balanço afro-brasileiro se multiplicava com a curiosidade de todos e modernizava-se com o balanço criativo e sensual da dança.

A juventude local envolvia-se e eu aperfeiçoava meu estilo.

De malas prontas e sem o apoio das autoridades da cultura local, via-me diante do grande momento envolto a sonhos de independência.
Ganhei o mundo com o som que adocicava as pistas.

A terceira fase sacudiu a França, invadiu a Europa e se fez presente em filmes e duas novelas da Rede Globo. O verbo foi escrito, dito e aplaudido.

Falava-se da cultura de um povo jovem e antigo até então ignorado pelo centro-sul.

Eu me antenei à frase de que tudo é possível dependendo do lado que se olha a vida.

Mas, o tempo não pára como bem disse Cazuza e depois da bonança vem a tempestade, com seus efeitos colaterais.

A bonança para quem não sabe ou faz de conta que não sabe é que a lambada sustentou e sustenta famílias com suas idéias a mais de um milhão de bailarinos e bailarinas que hoje ganham seus primeiros salários dançando nas bandas de forró, axés, pagode e tudo que se possa imaginar a mostrar suas culturas neste exemplo de idéia dos anos 80 e 90.

Girando, pulando e se encaixando nos camblês destes momentos, apercebo-me agradecendo a oportunidade que Deus me deu na época de criar e ensinar este bom caminho de se ganhar o pão.

Gosto de lembrar para não deixar que a tempestade suje os rios e oceanos desta boa idéia.

Sei que a difícil tarefa de posição sem o respaldo das autoridades de meu Estado não é fácil.

Por isso, não posso deixar de aplaudir o marketing e força da musica baiana e nordestina.

Não posso deixar de aplaudir a força de valorosos artistas e políticos que fazem desta festa, degraus de subida para seus Estados.

A cultura de nossa floresta pede passagem para mostrar suas patentes.

Dói ver nossas riquezas subtraídas e patenteadas com freqüência a cada ano e a cada carnaval.

Os pirateiros do intelecto assinam seus nomes e levam nossas riquezas e criações sem pedir licença ao criador.

Mais isso não é tudo, o importante e estar, é saber ditar o verbo quando o verbo esta sendo mal conjugado.

É preciso mudar o contexto deste texto há muito distorcido.

Muitos falam de sons sem saberem o por que de suas notas.

E se a dúvida esta nos ritmos que podem ou não podem estar na festa de carnaval, informo que a cultura não tem cor e carnaval é festa de todos os sons, encontro de idéias, liberdade organizada das tribos.

Talvez, eles pensem que somos índios dos Estados Unidos da América quando falam destes absurdos.

Se o básico das notas é ET aos desinformados, aconselho aos piratas buscarem nas fontes a verdadeira história desta cultura.

Ah! como seria bom se eles saíssem de suas mesas com bases encarpetadas para se juntar e aprender um pouco mais dos ritmos e sons de nossos lados.

Que a verdade seja observada e aprendida nos guetos da nascente. Sou fã das palavras difíceis e bonitas do Ministro Gil.

Sou fã de seu glorioso e afortunado legado musical, mas posso aqui garantir sem medo de errar que: ainda não vi efeitos de seu Ministério nos lados que tenho andado.

Mas Deus é tudo e, com certeza, o Ministro não pode ser crucificado por inteiro.

Entre ele e a História, existem mais responsáveis.

Estamos apenas no começo desse emaranhado buscando a fonte cristalina sem medo da exposição.

Está na hora de mudar o contexto, pois, dói ver artistas e compositores de uma sociedade esquecida querendo falar de suas artes,dores e valores sem encontrar apoio cultural.

Dói ver o poeta morrendo com seus dizeres guardados em arquivos da irresponsabilidade. Artistas esperançosos amparados por sua fé na fé dos que estão no poder e nada fazem.

A verdade assistida é ignorada pelas autoridades competentes com suas viagens internacionais e amigos a ganhar medalhas sem méritos atuais para tanto. Pois é, mas eu estou aqui engatinhando nesta luta que só está começando agradecido e agradecendo a internet por poder estar aqui conjugando meu verbo. Salve o Santo Bill Gates que veio para salvar a minha e a voz de muitos que pensam como eu. Estou aqui sim, para falar de meu povo, minha arte e minha cultura. Estou aqui sim, para defender meu lado e dos meus companheiros de estrada. Estou aqui sim, para falar dos milhares de quilômetros que rodamos para atender um publico que os medalhões desconhecem e que por motivos arbitrários, ainda tentam tirar o que de direito a todos pertence como sociedade e cultura.

Assim eu vou, tentando entender por exemplo, como artistas, compositores e criadores devem proceder para gravar um dvd com os mestres da cultura de uma região através do Ministério ou do Estado.

Estamos cansados de ver os Zé da escovinha, com verbas grandiosas a sorrir com milhões absurdamente saídos de nossas contas a financiar shows, dvds e viagens sem méritos históricos para tal.

Com a palavra os que favorecem a uns e desconhecem aos outros. Com a palavra os que se favorecem por leis da cultura e desconhecem as outras culturas principalmente a do bom senso.

Nada fazem além de falar palavras de difícil acesso e sem valor aos que estão a margem destas facilidades.

Já esta mais do que na hora de buscar soluções para esta crise absurda que cantores e compositores sérios, atravessam absorvidos pelo descaso e todas as espécies de irregularidades existentes no meio.

Penso que chegamos no fundo das nossas idiotices.

Não é aceitável ver por exemplo, o compositor com suas obras tocando por outras bandas e vendida pelos pirateiros sem receber pelo menos um obrigado.

Já está mais do que na hora de se juntar as tribos, as idéias, o Ministro, o ECAD, o Estado, Artistas e compositores que precisam de uma solução organizada pela boa vontade em um debate nacional verdadeiro . Deixo em capítulos este epílogo que pretendo mudar de mãos dadas a outros irmãos em favor dos direitos, da cultura e da criação.
NOSSA LUTA SÓ ESTÁ COMEÇANDO.

(Foto do show do Beto Barbosa, na cidade de Braslândia/DF, em 03/02/2008).
Leia mais|Comentarios (7)|em 15 de Fevereiro de 2008

Encontro mágico em uma noite abençoada por Deus.

" A palhaçada é um circo sem o talento do verdadeiro artista, o palhaço."


Leia mais|Comentarios (3)|em 02 de Fevereiro de 2008